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Regina Villas Boas
Entrevista
Com a experiência do trabalho diário no atendimento individual e também em workshops, Regina Villas Boas desenvolveu uma técnica própria focada na pessoa, onde a intuição tem papel fundamental.

Terapêuta renascedora desde 1987, vem encontrando nas técnicas de respiração, um instrumento de ampliação e percepção da consciência, principalmente associadas a outras práticas holísticas.

Nessa entrevista, ela fala do trabalho, suas influências e objetivos do Renascimento como terapia.


Por que o Renascimento é usado como terapia?

A respiração tem a capacidade impressionante de fazer com que a pessoa acesse algo que racional não acessa.

De que forma?

Quando a pessoa começa com a respiração conectada e sente a energia circulando, o que ela estava tentando não trazer pro consciente, fazendo pressão pra deixar no subconsciente, vem à tona. Pessoas muito racionais, que gostam de estar entendendo tudo através do pensamento [até mesmo de valores sociais], quando começam a respirar entram em contato com o que a está fazendo sofrer, com os valores dela mesmo.


Como isso acontece?

Muitas vezes a pessoa fala uma coisa antes da sessão. E depois do renascimento ela se aprofundou tanto, que fica encantada de perceber algumas coisas a respeito de si mesma que não conseguia perceber. 

Por que fazer Renascimento?

Pra que a pessoa se conheça melhor. Porque o jeito que está vivendo, de alguma forma não está legal. Ela está precisando se aprofundar. Não esta conseguindo fazer as coisas de acordo com o que ela mesma quer para que tenha paz interior.

Mas, estar em paz consigo mesmo não seria um estado natural de ser?

Normalmente as pessoas ficam com referências do passado muito fortes ou não conseguem ser elas mesmas porque têm uma história de vida muito forte. Pode acontecer também da pessoa estar muito ansiosa em relação ao futuro, esperando que aconteça alguma coisa para ser feliz. Esperando que consiga dinheiro, o trabalho adequado, aquela viagem; esperando um namorado ideal, uma família.... Com isso, a pessoa perde o que é o único lugar de encontrar felicidade, o agora.

Mas mesmo pra viver o agora referências do passado e visão de futuro são importantes.

Na jornada da vida temos que ter referências sim. Já vivemos um tanto de coisas, viemos de algum lugar, de uma família e temos referências de onde queremos chegar, (chegar aos 90 anos de idade, ter saúde, ter uma bela casa), mas pra isso acontecer, é preciso viver bem, estar presente agora, nesse momento. A felicidade da vida a gente consegue na própria jornada.

O Renascimento, então, traz a pessoa pro presente?

É limpar essas coisas que aconteceram no passado. Limpar o excesso de emoções que a pessoa não esta querendo enfrentar, levar a pessoa mais próxima dela mesma, porque quanto mais próximo do nosso verdadeiro eu se está, mais presente a gente está.

Quando você associa o Renascimento com a Terapia, quais são suas referências?

Essa forma de trabalhar é decorrente desses mais de 20 anos de terapia. Percebo que a pessoa precisa entrar em contato consigo mesma tornando-se cooperativa com ela mesma, saindo do conflito e entrando pra uma área de cooperação. Cooperação do inconsciente com o consciente, cooperação do consciente com o inconsciente; a pessoa integrando as diferentes partes.

Então nesse sentido a referência do Jung (Carl Gustav Jung) pra mim é muito importante. Ele constata que o ser humano é múltiplo, que somos formados por várias partes e quando essas partes estão centradas, estão consteladas em termos de um centro que todo mundo tem dentro de si, a pessoa começa a viver melhor. E pra que isso aconteça, a pessoa tem que trabalhar o material inconsciente, aquilo que ela ainda não sabe a respeito de si mesma. Porque aquilo que a gente já sabe a respeito da gente é fácil, mas aquilo que a gente não sabe, é uma parte muito grande da nossa vida. Costuma-se falar de 90% é a parte do inconsciente.

Essa parte do inconsciente que aparece nos sonhos é a mesma que surge no Renascimento?

Isso mesmo. O trabalho com os sonhos é muito importante, porque o sonho é a comunicação do inconsciente com o consciente. As imagens são liberadas no sonho e a pessoa pode conhecer aquilo que é obscuro ainda de si mesmo e isso é uma fonte de conhecimento. A pessoa quando começa a ter uma relação de compreensão e uma relação íntima com os próprios sonhos, eles indicam o caminho a seguir.

É possível que a pessoa mesma encontre o caminho através das imagens do sonho?

Mais ou menos. Na verdade o próprio Jung dizia que tinha dificuldades de entender os próprios sonhos. O inconsciente se manifesta através das imagens. Seja nos sonhos ou através de fantasias. Algumas vezes surge uma fantasia pra pessoa e ela não sabe de onde vem daquilo. É importante então perguntar: o que será que meu inconsciente está querendo me dizer?

Isso também acontece no Renascimento?

O Renascimento faz esse papel também. Ele traz material inconsciente, traz imagens. Algumas vezes traz uma memória corporal. Quando esse material vem à tona numa sessão de Renascimento, é possível trabalhar integrando isso no consciente, porque a vocação do inconsciente é se tornar consciente. E uma boa terapia, seja junguiana, seja uma terapia de Renascimento, vai auxiliar a pessoa a entrar pra dentro de si mesma e fazer com que esse material inconsciente que atrapalha, comece a cooperar.


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